quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

História do Carnaval de Salvador


Carnaval, palavra mágica que traduz alegria,frenesi e folia. Todos os anos a festa arrasta milhares de pessoas pelas ruas das cidades brasileiras dançando e cantando ao som das músicas alegres que marcam a festa. Em salvador, alguns milhões de foliões pulam sem parar quer na pipoca (folião sem bloco) ou nas centenas de blocos carnavalescos que desfilam nos quase sete dias de folia.  As ruas de Salvador se enchem de cores e sons que emanam dos blocos, afoxés e trios elétricos independentes divididos nos três circuitos da festa.
           A cidade se prepara para a festa imediatamente após os festejos natalinos quando se iniciam as montagens dos camarotes e arquibancadas pelos empresários donos dos blocos ou da rede hoteleira. As ruas do centro da cidade, do circuito Barra-Ondina ou do Centro Histórico onde acontece o carnaval alternativo, se transformam em um imenso canteiro de obras, mas ninguém, ou quase ninguém reclama, afinal isso indica que o carnaval se aproxima. 
          Embora a festa ocorra em muitos paises do mundo, a sua origem ainda é incerta. Acredita-se que a origem da festa tenha suas raízes na Grécia entre os anos 600 a 520 aC quando os gregos realizavam cultos em agradecimentos aos deuses da fertilidade pela boa produção do solo, ou a Baco, deus do vinho e da alegria. Ainda outros afirmam que suas origens remontem ao Imperio Romano, afinal os romanos sabiam como ninguém fazer festas semelhantes ao nosso carnaval com muita música, dança e é claro muito vinho. A verdade é que a festa de cunho religioso chegou até os nossos dias através da igreja. Muitos se surpreendem ao saber que o carnaval é uma comemoração adotada pela Igreja Católica, isso mesmo, a igreja incorporou a festa ao seu calendário durante a idade média em 590 dC que passou a ser regido pelo calendário lunar adotado pela igreja.
           A própria palavra carnaval do latim “carne vale” significa “adeus à carne”. a palavra carne como símbolo de pecado, impureza. Visto que os feriados católicos com exceção do natal são calculados em função da data da Páscoa, e esta ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia a partir do equinócio da primavera (no hemisfério norte) ou do equinócio do outono (no hemisfério sul),  então a terça-feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o motivo pelo qual o carnaval não tem uma data fixa no calendário.

          No Brasil o carnaval chegou durante o período colonial trazido pelos portugueses com o nome de entrudo, uma introdução à quaresma. As brincadeiras consistiam em molhar as pessoas em casa ou nas ruas, ou atirar objetos com substâncias mal cheirosas em outros independente da idade ou condição física, esse costume ainda perdura em algumas cidades do interior do Brasil, embora com algumas mudanças. A partir de 1853, a festa passou a ser reprimida pela polícia e segregada entre brancos e negros, enquanto o carnaval de salão era restrito aos brancos ricos, o de rua era reservado para os negros e pobres tidos como pessoas de baixa moral pela elite branca. Pode-se dizer que a segregação de certa forma ainda permanece com a criação dos luxuosos camarotes nos circuitos para que aqueles que podem pagar caro não precisem se misturar aos foliões dos blocos ou da pipoca.
          Curiosamente foi justamente a repressão policial que estimulou o carnaval de rua onde os participantes usavam máscaras e fantasias. O carnaval de rua foi ganhando força á medida que grupos organizados saiam pelas ruas conclamando as pessoas para a festa. Em 1882 o comércio passou a fechar as portas na terça feira de carnaval.
          Ironicamente, a população negra de Salvador não tinha espaço no carnaval da Bahia por esta razão um grupo de estivadores do cais da cidade criou em 1895 o primeiro afoxé da cidade. Surgido do candomblé, o bloco só saia para a festa depois que eram liberados pelos pais e mães de santo. Em 1949, nasce o Afoxé Filhos de Gandhi, em homenagem ao pacifista indiano Mahatma Gandhi, também formado estivadores do porto.
                                          Desfile de blco afro fonte: http://www.carnaval.salvador.ba.gov.br/2012/capa/galeria_2.php#http://farm6.static.flickr.com/5098/5499769675_676e03763f.jpg

          A grande estrela do carnaval baiano o trio elétrico surgiu em 1950, da ideia de dois músicos baianos conhecidos como Dodô e Osmar que decidiram reformar um antigo carro de propriedade de Osmar para levá-lo às ruas tocando frevo, mas o nome “trio elétrico” só aparece um ano depois da criação, quando foi levado à rua o primeiro trio de músicos – Dodô, Osmar e Temístocles Aragão. O sucesso imediato da invenção de Dodô e Osmar mudou a forma de apresentação dos blocos que antes desfilavam pelas ruas com bandas de percussão e sopro a pé junto com os foliões. Em 1962, o tradicional bloco carnavalesco Os Internacionais, que anteriormente só desfilava com homens, inova, trazendo os músicos em cima de um  trio elétrico e permitindo a participação de mulheres na agremiação.
          O carnaval vai se consolidando como festa de rua com novos blocos de trio, cordas e as mortalhas que passam a substituir as tradicionais fantasias. As mortalhas continuaram mantendo o propósito de identificar os participantes de cada bloco. A partir da década de 70, a tradicional praça do poeta como é conhecida a Praça Castro Alves se torna o ponto de partida dos foliões e passagem obrigatória do tapete branco formado pelos Filhos de Gandhi vindos do Pelourinho.  Surge o bloco afro Ylê Aiyê, que trouxe para a rua a população negra do bairro da Liberdade para expressar sua cultura e combater o racismo dos blocos tradicionais que não aceitavam negros em suas agremiações.
          A festa começa na quinta feira à noite quando após os pais e mães de santo num ritual abrem passagem e pedem proteção aos orixás, o prefeito da cidade entrega as chaves ao rei Momo que decreta aberta a folia, esse ritual comprova que ainda hoje a festa mantem o cunho religioso.
          O carnaval baiano ganhou popularidade no Brasil e no mundo a partir de um ritmo criado pelo cantor e compositor Luis Caldas que levava o nome de Fricote. A partir daí não só o carnaval como também a música baiana passaram a ter destaque internacional. Era a Bahia, antes tão marginalizada exportando a sua cultura para o Brasil e o mundo. Artistas baianos passam a ser convidados para shows em diversos países e mostram para o mundo "o que é que a Bahia tem"  

                                                      Filhos de Gandhi Fonte: http://www.carnaval.salvador.ba.gov.br/2012/capa/galeria_6.php#http://farm6.static.flickr.com/5136/5509750501_afbd6c5d99.jpg
          Hoje, o carnaval da Bahia é considerado a maior festa de rua do planeta, tombado como patrimônio imaterial atrai cada ano cerca de dois milhões de pessoas para pular ao som de músicas cantadas por artistas baianos conhecidos internacionalmente. Divididos entre os circuitos Dodô ( Barra - Ondina),  Osmar (Campo- Grande) e Batatinha (Centro Histórico), o folião pipoca, ou de bloco pode escolher  que atrações querem seguir até a quarta feira de cinzas ao meio dia quando finalmente a festa chega ao seu final. 
Selma Oliveira,
Professora de história
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